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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

O papel da mídia é ser o mosquito do Brasil?

mosquito

Durante várias horas, ontem, os grandes sites reproduziram uma nota da Reuters de que o Comitê Olímpico dos EUA teria "liberado" os atletas daquele país para não comparecerem aos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. por conta do vírus zika.

Foi preciso que o próprio o porta-voz da entidade, Patrick Sandursky fosse aos jornais negar "com veemência" a falsa informação, horas depois.

Não é possível que, a quatro meses das Olimpíadas no Rio, as redações não tenham o e-mail ou o telefone do Comitê Olímpico dos EUA. Ontem, carnaval aqui, é dia normal nos Estados Unidos. Simples checar a informação,que seria gravíssima, pelo simples fato de serem os norte-americanos a principal força esportiva dos Jogos.

Seria como o Corinthians, o Flamengo ou o Atlético Mineiro anunciarem que não disputariam o Brasileirão.

Mas, para quê?

É contra o Brasil e é contra o Rio (o que ainda é mais "saboroso" para quem detesta "esta bagunça" daqui...). E a turma do vira-latismo sai a latir sua zica ao país. Zica, com "c", a antiga: do azar, infortúnio crônico e repetitivo.

Ninguém nega a preocupação e a necessidade de se combater um surto que acontece no Brasil e em mais 30 países, tanto que o pedido de US$ 2 bilhões pedidos por Barack Obama ao congresso para ações contra a doença são 80% destinados à prevenção interna e a pesquisas e apenas 20% para ações no exterior - e não se duvide que a Colômbia (amiga preferencial), o Caribe e o México (vizinho incômodo) serão os principais destinos de seu apoio financeiro, porque são os que mais ameaçam o território continental norte-americano.

Como em qualquer caso de saúde pública, mais ainda porque envolve a sanidade de fetos, todos devem colaborar, mantendo a serenidade e esclarecendo a população.

Mas não existe o clima de terror que se transmite nos jornais brasileiros.

Tanto é que o Carnaval no Rio "bombou" de turistas: até o sábado, a  ocupação hoteleira estava, na média geral, em 82,2%, um aumento de 35% no comparativo com o mesmo período do ano passado. A expectativa é que esse número chegue a 85%, segundo a associação dos hoteleiros.

É 35% maior que no ano passado e nem se use o dólar para explicar, porque 70% dos hóspedes é do Brasil. É claro que os estrangeiros aproveitaram o câmbio favorável e o porto do Rio - ninguém me contou, vi pessoalmente - no domingo não tinha mais lugar para atracar, de tantos transatlânticos. Contei dez, da Ponte Rio-Niterói, mas a Secretaria de Turismo diz que eram 11. O número de desembarques no Carnaval é 85% maior que no ano passado: 130 mil passageiros, contra 70 mil em 2014.

A mídia brasileira virou um Aedes Egypti: suga e nutre-se das belezas do país e do trabalho e alegria de seu povo, mas inocula-lhe uma microcefalia que só faz ver aqui o fim do mundo, a mais desgraçada das terras, de onde o mundo inteiro foge, embora todos venham para cá: pessoas e capitais e voltem, sorrindo e felizes.

PS. Antes que os "contaminados" o digam: não se quer exterminar a mídia, até porque, pelos números da circulação dos jornais, parece que ela está fazendo isso sozinha.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

O problema do "esperto" é mostrarem o que ele é: um idiota. Assista

veronika


Aldo Mariátegui, um jornalista "poderoso" do Peru, onde funciona como um dublê de colunista a la Merval Pereira e dirigente de empresas de comunicação, ficou com cara de palerma no programa Sin Medias Tintas,  na TV Latina, emissora acusada pelos jornalistas peruanos de "tv basura": tevê lixo.


Logo ele, tão metido a esperto que criou a expressão "esquerda caviar" que o luminar Rodrigo Constantino importou sem royalties ao autor.


Foi tirar "onda" em cima de Verónika Mendoza, nascida e criada em Cuzco, e de mãe francesa, dirigindo-se a ela em francês, claro que na sua estratégica de "mostrar" que a candidata da Frente Ampla de esquerda às eleições presidenciais peruana era mais uma "caviar".


Tomou um traulitada daquelas de ir parar longe: calmamente, Verónika respondeu fluentemente em quéchua, língua das populações indígenas do Peru, falada desde os incas até hoje entre os povo do altiplano.


Allillanchu kachkanki, Aldo. Sumaq ch’isi kachun qamkunapaq llaqtamasiykuna”.


"Como vai, Aldo. Boa tarde, meus concidadãos", disse ela.


Assim, na lata, deixando o idiota com cara de idiota, virou-se para a outra apresentadora, Mónica Delta, e completou, candidamente: "Eu tenho paciência, Mónica".



Bill Clinton parte para cima de Sanders. Sinal de que Sanders ameaça mesmo Hillary

primarias

Amanhã ocorre a segunda eleição primária da sucessão norte-americana e todas as pesquisas apontam para uma vitória  folgada de Bernie Sanders em New Hampshire sobre a favorita Hillary Clinton.

É um estado pequeno, com poucos delegados (32)  à convenção democrata - 0,75% do total, apenas - e onde a confirmação de vitória de Sanders ainda terá de equilibrar a vantagem apenas entre os 24 que serão eleitos, pois há oito "superdelegados", da máquina partidária, todos com Hillary.

Mesmo assim, a "onda Sanders" precisa ser quebrada, avaliam os caciques do partido e essa é a razão de, depois de meses recolhido a uma posição discreta, o ex-presidente Bill Clinton tenha partido para cima do desafiante com palavras duríssimas, como registra hoje o The New York Times:

"Bill Clinton desfechou  um duro ataque  sobre o senador Bernie Sanders , no domingo, criticando duramente o Sr. Sanders e os seus apoiadores, os quais acusou de críticas falsas e e de ataques de "sexistas" a Hillary Clinton .


"Quando você (diz que) está fazendo uma revolução que não pode deixar de ser  muito cuidadoso com os fatos", disse Clinton, ridicularizando chamada convocação frequentemente feita por Sanders para uma revolução política.


O ex-presidente, dirigindo-se a algumas centenas de partidários em uma escola secundária aqui, retratado adversário de sua esposa pela indicação democrata como hipócrita, "hermeticamente fechado" e desonesto."


O jornal atribui a reação de Clinton á importância emocional que dá a uma vitória em New Hampshire por ter sido lá que, em 1992, começou a reverter uma situação dif´cil nas primárias democratas. abalhado por escândalos sexuais e por uma suposta fuga da prestação de serviço militar no Vietnã;


Um olhar sobre as pesquisas nacionais, numa média consolidada pelo Huffinton Post - que, como pode ser configurada, selecionei para mostrar apenas as pesquisas "bancadas" por jornais e tevês de peso e onde eliminei as via Web e por "robôs telefônicos" basta para ver que há bem mais que razões sentimentais na atitude do ex-presidente.


Pode ser um sinal para que Sanders, tratado até agora como um simpática figura, algo "folclórica" passe a ser tratado como o que é: uma ameaça à ainda favorita, mas não mais favoritíssima, Hillary Clinton.


O gráfico lá de cima vai abaixo, na sua forma interativa.


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Juiz desobriga a Samarco de fornecer água limpa a cidade atingida pela lama

agua

No blog do Marcelo Auler a decisão "Maria Antonieta" de um juiz, que desobriga a Samarco de fornecer água potável aos habitantes de Colatina, pelas desconfianças de que a água do Rio Doce ainda pode ter traços do metal despejado sobre ele com o rompimento da barragem de rejeitos da empresa, em Mariana, MG. É que fica caro para a empresa.

Mass é compreensível que os colatinenses recebam a decisão como uma sentença a la Maria Antonieta: "Não têm água? Porque não bebem lama?"

O  que Auler relata.

"Para evitar que a Samarco Mineração – responsável pelo maior desastre ambiental que se tem notícia – venha a perder dinheiro doando dois litros de água mineral diariamente a cada um dos 122 mil moradores de Colatina (ES), o juiz federal substituto da 2ª Vara Cível da cidade, Guilherme Alves dos Santos, não quis obrigá-la a manter a distribuição iniciada em novembro.

Como os moradores não confiam na água oferecida a partir da captação no Rio Doce – atingido pelo rejeitos de mineração que escapuliram com o rompimento da barragem em Mariana (MG) -,  terão que arcar com o gasto do próprio bolso. “E quem não puder comprar, vai beber água do Rio Doce?”, questionou Efigênia Martins, uma senhora de idade, ouvida pelo ES-TV, da TV Gazeta, no último dia 24.

A decisão do juiz, que colide com outras deliberações judiciais, é de terça-feira (02/02), em uma Ação de Execução proposta pelo Ministérios Públicos Federal e do Trabalho, Na Execução, os procuradores tentam manter a distribuição da água, como acertado, em novembro, em um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) que a mineradora, a prefeitura e os MPs assinaram.

Para o juiz Santos, como o município já voltou a captar e fornecer à população a água do Rio Doce, a manutenção da distribuição da água mineral provocará prejuízo à empresa.

Siga lendo no blog do Auler.

PS. Este blog, obvio, não vai discutir a qualidade da água nem a dos laudos aos quais a Samarco se refere. Mas é obvio que persistam as desconfianças de que pode haver contaminação por metais na água do Rio.Para quem tem bebês, por exemplo, é absolutamente normal que as pessoas tenham medo de usar a água do rio, mesmo fervida, porque fervura não retira metal. Eu teria e acho que o leitor também. Isso tem de ser feito gradualmente, com comunicação e retabelecimento da confiança e, claro, completo rigor técnico, de órgãos independentes e com transparência.